quinta-feira, 3 de junho de 2010

É camisa 10 da seleção

Durante a Copa de 74 o cantor Luiz Américo, notório por criar músicas com a temática futebolística, cantava uma canção que provocava o então técnico da seleção, Zagallo. A letra dizia "Desculpe seu Zagallo, mexe nesse time que tá muito fraco". Luiz Américo tinha uma certa razão, afinal o Brasil após encantar o mundo em 70 fez uma Copa pífia quatro anos mais tarde e terminou na quarta colocação, após perder a disputa do terceiro lugar para a Polônia. O refrão da música, para descontrair a crítica, pedia "É camisa dez da seleção, Dez é a camisa dele , quem é que vai no lugar dele".

A verdade é que a camisa 10 causa um enorme frisson na torcida brasileira, mais que em outros países. Hoje em dia é pouco comum ver equipes com as numerações tradicionais de um a onze. Mas no brasil isso é uma tradição que perdura por todas as Copas, desde que a numeração dos jogadores foi instituída em 1950, na Copa aqui no Brasil. Coube ao meia Danilo, do Vasco da Gama, a honra de ser o primeiro camisa 10 da história da seleção nas Copas. Ainda sem a tal mística, o príncipe como era chamado fez uma carreira mais vitoriosa no Vasco da Gama do que na seleção.

Em 54, na Suíça, ainda sem o surgimento daquele que fora o maior atleta do século (Pelé) a camisa 10 amarelinha caiu nas costas de José Lázaro Robles, ou simplesmente Pinga, que jogava também no Vasco da Gama, equipe brasileira que formava a base do Brasil durante a década de 50, graças ao histórico time conhecido como "Expresso da Vitória". O Brasil saiu precocemente da Copa, eliminado que foi pela irresistível Hungria, que viria a ficar com o vice-campeonato.

Mas na Copa de 58 começara a surgir a tal mística dos brasileiros com a camisa 10. Diz a lenda que ela caiu nas costas de Pelé por acaso, de maneira aleatória. E é bem possível que seja verdade, afinal o ainda menino que se tornaria Rei sequer era titular no time de Vicente Feola e só o seria no decorrer da Copa. O fato é que Pelé vestiu a 10 e encantou o mundo com seu futebol na primeira conquista mundial do Brasil.

Já mundialmente reconhecido como o Rei do futebol Pelé com toda a justiça envergou a 10 amarelinha nas outras três copas que disputou. Em 62, ano do bi-campeonato, ele só jogou uma partida, pois saiu contundido, mas esteve sempre com a delegação. Quatro anos mais tarde em 66, novamente com a 10, ele participou do fracasso ao lado de todos outros atletas que foram à Inglaterra naquela que foi a pior Copa de nossa história. Em 70, na sua despedida de Mundias, Pelé comandou um time de sonhos que trouxe o tricampeonato do México. O Brasil ficaria órfão de seu maior camisa 10?


A camisa 10 do Brasil! A mais famosa do mundo.

Na Alemanha, em 1974, coube a Rivellino a responsabilidade de vestir a camisa 10, já mundialmente reconhecida e pesada por ter sido usada por Pelé. Assim como toda a seleção, Riva fez uma péssima Copa na Alemanha. Mas ele manteve o posto na sua despedida das Copas em 1978, na Argentina. A seleção teve um desempenho um pouco melhor, terminando na terceira posição em uma das Copas mais obscuras de todos os tempos.

As duas Copas realizadas na década de 80 tiveram em Zico o dono da camisa 10. Para muitos o maior jogador a vestir a camisa, após Pelé. Mas o Galinho de Quintino, ao contrário do Rei, não conseguiu ganhar nenhuma Copa e sua geração acabou taxada de perdedora, apesar de ter encantado o mundo em 82, na Espanha e em 86, no México. Nesta última Zico foi escolhido como o "culpado" pela eliminação do Brasil, por ter perdido um penalti diante da França. Como diz com muita propriedade o jornalista Fernando Calazans, "se Zico nunca ganhou uma Copa, pior para as Copas".

A geração pós Zico trouxe para o Brasil um título mundial e um futebol muito mais próximo do estilo europeu do que do brasileiro. Coube ao atual treinador do Grêmio, Silas a responsabilidade de substituir Zico com a camisa 10. Assim como toda aquela equipe, eliminada pela Argentina na Itália, Silas fracassou na busca pelo tetra. Em 94, nos EUA, 24 anos após vencer um mundial pela última vez, Raí foi o dono da 10, mas sequer terminou a Copa como titular, perdendo a vaga de capitão também para Dunga, atual treinador da seleção.

Nas duas Copas que se seguiram, em 98 (na França) e em 2002 (no Japão e na Coréia do Sul) o pernambucano Rivaldo foi o dono da mística camisa 10. Sempre contestado por toda a opinião pública, o jogador fez excelentes mundiais e foi o maestro brasileiro na conquista do penta na Ásia, ao lado de craques como Ronaldo e Ronaldinho. Rivaldo sempre jogou mais do que as pessoas diziam que ele jogava pela seleção. Um dos jogadores mais injustiçados da história da amarelinha.

O último camisa 10 da seleção em uma Copa protogonizou um novo fracasso. Melhor jogador do mundo em 2005, Ronaldinho Gaúcho chegou na Alemanha para a Copa de 2006 como o provável grande nome do torneio. Mas ao lado de medalhões como Ronaldo, Roberto Carlos, Adriano e Kaká, acabou eliminado pela França naquela que foi a pior Copa do Brasil desde 1990, na Itália.

A responsabilidade de vestir a 10 na primeira Copa na África caberá a Kaká. Após Danilo, Pinga, Pelé, Rivellino, Zico, Silas, Raí, Rivaldo e Ronaldinho Gaúcho, o garoto certinho vai fazer parte do panteon de nomes que vestiram a camisa dez do Brasil em uma Copa do Mundo. Kaká tem sem dúvida futebol para merecer a 10. Apesar de na minha opinião não possuir o talento de alguns que já citei acima, como Zico e Rivaldo. Pelé não pode entrar nesta comparação. O futebol de Kaká se assemelha mais com o de Raí, que acabou sacado do time na Copa de 94. Isto não deve acontecer com Kaká e se acontecer, certamente o Brasil não irá longe no Mundial. Poucas vezes se viu uma seleção brasileira tão dependente de um só jogador. Mais do que nunca a mística da camisa 10 tem de funcionar nesta Copa. Bem que Luiz Américo poderia criar uma canção para Dunga e sua teimosia.

3 comentários:

Maurício Motta... disse...

Nesta Copa a camisa 10 está bem entregue, mas pensarmos que Silas e Rai já vestiram esse número...
Na Copa passada, o responsável pela 10 foi Ronaldinho Gaúcho. Confesso que gostaria de vê-lo na África, mesmo ele sendo desagregador, mas ele joga muito e com certeza faria uma ótima Copa, afinal seria a sua última oportunidade de mostrar ao mundo que joga bola.
Quem sabe em 2014, Philippe Coutinho não herda a 10 do Brasil.
Abraços

Guilherme Ayupp disse...

Em 2014 a camisa 10 será de Ganso!

Papo de Boleiro disse...

Gosto muito do futebol do Kaká, o futebol dele é o meu meia armador que eu sempre quis. Rápido, chuta e arranca no meio de campo. A camisa 10 está bem entregue, pena que o resto não me agrada.

abraços